Quando o casamento adoece: 8 sinais de alerta à luz da Bíblia

Quando o casamento adoece: 8 sinais de alerta à luz da Bíblia

Outro dia, me peguei conversando com minha esposa sobre um assunto que provavelmente já passou pela cabeça de muitos casais: será que é possível perceber os sinais de que um casamento está entrando em crise antes que seja tarde demais?

Assim como nosso corpo costuma dar sinais quando alguma coisa não vai bem, talvez um casamento também comece a apresentar sintomas muito antes de chegar a uma crise maior.

Uma conversa que já não acontece. Uma mágoa que nunca é resolvida. Palavras que começam a machucar. O carinho que vai diminuindo. A vontade de estar perto que já não é a mesma.

Separadamente, algumas dessas coisas podem parecer pequenas. O problema é quando deixamos de percebê-las — ou percebemos, mas simplesmente nos acostumamos com elas.

Foi então que surgiu outra pergunta em nossa conversa: será que a Bíblia também nos ajuda a identificar esses sinais?

Ao procurar nas Escrituras, encontramos princípios muito claros sobre amor, perdão, união, palavras, orgulho, intimidade e companheirismo. E quando alguns desses princípios começam a desaparecer de dentro de casa, talvez estejamos diante de sinais que não deveriam ser ignorados.

Por isso, neste artigo, quero refletir com você sobre alguns sinais de que um casamento pode estar adoecendo — não para decretar o seu fim, mas justamente para perguntar:

Será que ainda podemos perceber os sintomas, cuidar das feridas e começar uma restauração antes que seja tarde demais?

Imagem: Acervo visual Frutos do Espirito

1. Quando o “nós” começa a desaparecer

“Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.”
Gênesis 2:24

Um dos primeiros princípios que encontramos na Bíblia sobre o casamento é a união.

Duas pessoas continuam tendo personalidades, opiniões, gostos e responsabilidades individuais. Casamento não significa deixar de ser quem somos.

Mas existe algo novo depois do casamento: nasce o “nós”.

E talvez um dos sinais de alerta apareça justamente quando esse “nós” começa, pouco a pouco, a desaparecer.

O marido faz seus planos sem considerar a esposa. A esposa toma suas decisões sem conversar com o marido. Cada um tem seus problemas, seus sonhos, suas preocupações, sua rotina.

Ainda moram na mesma casa.

Ainda pagam as mesmas contas.

Talvez ainda durmam na mesma cama.

Mas começam a viver vidas cada vez mais separadas.

É possível dividir um endereço e, ainda assim, deixar de dividir a vida.

Por isso, vale perguntar:

Ainda existe um “nós” dentro do nosso casamento?


2. Quando nossas palavras começam a ferir mais do que acolher

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”
Provérbios 15:1

Existem feridas que não aparecem no corpo.

Uma palavra dita em um momento de raiva pode permanecer durante anos na memória de quem a ouviu.

Com o passar do tempo, alguns casais começam a tratar como normal aquilo que jamais tratariam como normal no início do relacionamento.

Ironias.

Gritos.

Deboche.

Humilhações.

Palavras ditas apenas para atingir exatamente onde sabemos que vai doer.

Efésios 4:29 nos ensina:

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação…”

Isso nos leva a uma reflexão desconfortável, mas necessária:

Como temos falado com a pessoa que escolhemos para dividir a vida?

Às vezes somos extremamente educados com desconhecidos, pacientes com colegas de trabalho e cuidadosos com clientes, mas reservamos nossas palavras mais duras justamente para quem está dentro da nossa casa.

Quando as palavras deixam de construir e passam constantemente a destruir, existe uma ferida que precisa ser tratada.

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3. Quando começamos a colecionar mágoas

“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros.”
Colossenses 3:13

Todo casamento terá conflitos.

Duas pessoas diferentes, criadas em famílias diferentes, com histórias, expectativas e maneiras diferentes de enxergar a vida inevitavelmente terão divergências.

O problema não é simplesmente existir conflito.

O problema começa quando cada conflito deixa uma nova dívida emocional.

Uma discussão termina, mas não termina de verdade.

O assunto aparentemente foi encerrado, porém fica guardado.

Então surge uma nova discussão e, de repente, voltamos a algo que aconteceu cinco anos atrás.

Depois lembramos outra coisa.

E mais outra.

Sem perceber, criamos dentro de nós uma espécie de arquivo de acusações contra nosso próprio cônjuge.

Perdoar não significa fingir que nada aconteceu. Também não significa que a confiança destruída será automaticamente restaurada.

Mas existe uma diferença entre tratar uma ferida e mantê-la aberta para utilizá-la novamente na próxima discussão.

Talvez seja necessário perguntar:

Estamos resolvendo nossas feridas ou apenas aprendendo a conviver com elas?


4. Quando estar certo se torna mais importante do que ficar bem

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.”
Filipenses 2:3

Existem discussões em que, depois de algum tempo, já nem lembramos exatamente por que começaram.

Mas continuamos discutindo porque precisamos vencer.

Precisamos provar nosso ponto.

Precisamos ouvir:

“Você estava certo.”

E o orgulho pode transformar marido e esposa em adversários.

Só que existe um problema nisso:

se vocês estão do mesmo lado, quem exatamente vence quando um derrota o outro?

Em um casamento saudável, o objetivo de uma conversa difícil deveria ser encontrar uma solução para o problema.

Não encontrar um vencedor.

Quando começamos a pensar em termos de “eu contra você”, talvez tenhamos esquecido que deveria ser “nós contra o problema”.

Às vezes, salvar uma conversa exige algo extremamente difícil:

abrir mão da necessidade de vencer.

Imagem: Acervo visual Frutos do Espirito

5. Quando o carinho e a intimidade começam a desaparecer

“O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa ao seu marido.”
1 Coríntios 7:3

Quando falamos em intimidade dentro do casamento, muita gente pensa imediatamente na relação sexual.

E ela é importante.

A própria Bíblia não ignora esse aspecto do casamento.

Mas intimidade é ainda maior.

É o abraço.

É o beijo antes de sair.

É sentar perto.

É perguntar como foi o dia e realmente querer ouvir a resposta.

É perceber quando alguma coisa não está bem.

É tocar.

É rir juntos.

É sentir que existe alguém com quem podemos baixar nossas defesas.

Naturalmente, existem períodos em que o cansaço, os filhos, o trabalho, as preocupações e tantas outras responsabilidades interferem nisso.

O problema é quando o distanciamento deixa de ser uma fase e passa a ser a nova normalidade.

Quando marido e esposa deixam de sentir falta da proximidade um do outro, talvez exista algo mais profundo pedindo atenção.


6. Quando deixamos de carregar os pesos um do outro

“Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.”
Gálatas 6:2

Existem momentos na vida em que somos fortes.

E existem momentos em que precisamos que alguém seja forte por nós.

Uma das coisas mais bonitas do casamento é saber que não precisamos enfrentar tudo sozinhos.

Quando um está cansado, o outro ajuda.

Quando um está com medo, o outro encoraja.

Quando um cai, o outro estende a mão.

Eclesiastes 4:10 diz:

“Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro.”

Mas algo preocupante acontece quando o cônjuge deixa de ser a pessoa com quem desejamos compartilhar nossas dores.

Recebemos uma notícia ruim e não queremos contar.

Estamos preocupados e preferimos guardar.

Estamos enfrentando alguma coisa e pensamos:

“Não adianta falar.”

Quando começamos a enfrentar a vida sozinhos mesmo estando casados, talvez seja hora de perguntar o que aconteceu com o companheirismo que um dia existiu.

Imagem: Acervo visual Frutos do Espirito

7. Quando a indiferença ocupa o lugar do amor

“O amor é paciente, o amor é bondoso… tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
1 Coríntios 13:4,7

Talvez este seja um dos sinais mais silenciosos — e também um dos mais perigosos.

A indiferença.

Curiosamente, muitos imaginam que um casamento está pior quando existem discussões.

Nem sempre.

Às vezes existe algo ainda mais preocupante do que discutir:

não se importar mais.

“Faça o que quiser.”

“Não quero saber.”

“Não me interessa.”

“Não quero conversar.”

Chega um momento em que já não existe nem disposição para tentar explicar o que sentimos.

A ausência de discussão nem sempre significa que finalmente chegou a paz.

Às vezes significa que alguém simplesmente desistiu de ser ouvido.

O amor descrito em 1 Coríntios 13 não é um sentimento passivo. Ele se manifesta em paciência, bondade, perseverança e cuidado.

Por isso, talvez uma pergunta importante seja:

Ainda nos importamos verdadeiramente com aquilo que acontece no coração um do outro?


8. Quando começamos a acreditar que não existe mais restauração

“Melhor é serem dois do que um… porque, se caírem, um levanta o companheiro.”
Eclesiastes 4:9–10

Talvez você tenha chegado até aqui reconhecendo alguns desses sinais no seu próprio casamento.

Talvez vários.

E talvez isso doa.

Mas reconhecer que existe um problema não significa decretar o fim.

Na verdade, pode significar exatamente o contrário.

Talvez reconhecer os sintomas seja o primeiro passo para começar o tratamento.

Há casamentos que não chegaram a uma crise de um dia para o outro.

Foram pequenas coisas acumuladas.

Uma conversa adiada.

Um pedido de perdão que nunca veio.

Uma mágoa guardada.

Uma noite em que cada um virou para um lado.

Depois outra.

Depois outra.

Até que a distância que começou com alguns centímetros se transformou em um enorme espaço emocional.

Mas se a distância foi construída aos poucos, talvez a aproximação também possa começar com pequenos passos.

Uma conversa sincera.

Um “me perdoe”.

Um abraço.

Uma decisão de ouvir sem preparar uma resposta.

Uma oração.

Um pedido de ajuda.

Talvez não resolva tudo imediatamente.

Mas pode representar o começo.


Imagem: Acervo visual Frutos do Espirito

Então, o que fazer quando reconhecemos esses sinais?

A primeira atitude talvez seja uma das mais difíceis:

parar de procurar apenas os erros do outro.

Jesus fez uma pergunta extremamente conhecida:

“Por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?”
Mateus 7:3

É muito fácil ler um artigo como este pensando:

“Meu marido faz exatamente isso.”

“Minha esposa precisa ler essa parte.”

Mas talvez o exercício mais transformador seja perguntar:

Em quais desses pontos eu preciso mudar?

Antes de perguntar o que meu cônjuge pode fazer para salvar nosso casamento, talvez seja necessário perguntar diante de Deus:

“Senhor, o que precisa mudar em mim?”

Isso não significa assumir sozinho a responsabilidade pelos problemas de duas pessoas.

Significa começar pela única pessoa sobre a qual realmente temos poder de decisão:

nós mesmos.

Depois disso, pode ser necessário conversar.

Não durante uma discussão.

Não para acusar.

Não para apresentar uma lista de erros.

Mas para dizer:

“Eu sinto que estamos nos afastando e não quero simplesmente assistir isso acontecer.”

Em alguns casos, será importante buscar ajuda. Um pastor de confiança, aconselhamento matrimonial ou acompanhamento profissional pode ajudar o casal a enxergar coisas que sozinho já não consegue perceber.

Pedir ajuda não significa necessariamente que o casamento fracassou.

Às vezes significa justamente que vocês decidiram lutar por ele.


Restauração não significa tolerar abuso

Existe, porém, uma ressalva necessária.

Nenhum ensinamento sobre perdão, submissão, perseverança ou restauração deve ser utilizado para obrigar alguém a permanecer silenciosamente em uma situação de violência, ameaça ou abuso.

A Bíblia não deve ser transformada em instrumento para proteger quem machuca e silenciar quem está sendo machucado.

Situações assim exigem proteção, ajuda e orientação adequada.

Perdoar não significa permitir que alguém continue ferindo você.


Talvez ainda não seja tarde

Nenhum casamento é perfeito.

Não existe marido perfeito.

Não existe esposa perfeita.

Existem duas pessoas imperfeitas tentando construir uma vida juntas.

Por isso haverá dias bons e ruins.

Haverá momentos de proximidade e períodos difíceis.

Mas talvez o verdadeiro perigo não esteja em perceber que existem problemas.

Talvez esteja em perceber e decidir não fazer nada.

Se alguma parte deste texto fez você pensar no seu casamento, talvez não seja motivo para desespero.

Talvez seja um convite.

Um convite para conversar.

Para perdoar.

Para pedir perdão.

Para voltar a ouvir.

Para voltar a tocar.

Para voltar a caminhar juntos.

E, principalmente, para colocar diante de Deus aquilo que talvez vocês já não estejam conseguindo resolver sozinhos.

Porque algumas rachaduras, quando ignoradas, realmente podem aumentar.

Mas quando percebidas a tempo, podem mostrar exatamente onde a restauração precisa começar.

“Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.”
Colossenses 3:14

Uma reflexão para terminar

Antes de fechar esta página, talvez valha a pena fazer uma pergunta a si mesmo:

Se eu pudesse mudar hoje apenas uma atitude minha para tornar meu casamento melhor, qual seria?

Não pense primeiro no que seu marido ou sua esposa precisa mudar.

Pense em você.

Talvez uma restauração enorme possa começar com uma decisão aparentemente pequena.


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