O que a Bíblia nos ensina sobre permanecer, amadurecer e aprender a amar novamente
Quando duas pessoas se casam, elas fazem promessas olhando para o futuro.
Naquele momento, porém, nenhuma delas sabe exatamente como será esse futuro.
Não sabem quais dificuldades financeiras enfrentarão. Não sabem como a chegada dos filhos mudará a rotina. Não sabem quais perdas terão que suportar, quais sonhos serão realizados e quais precisarão ser deixados pelo caminho.
Também não sabem como seus próprios corpos, pensamentos, prioridades e necessidades mudarão com o passar dos anos.
Então os anos passam.
Dez.
Vinte.
Trinta.
Talvez quarenta.
E um dia você olha para a pessoa que está ao seu lado e percebe algo curioso:
ela não é mais exatamente aquela pessoa com quem você se casou.
Mas existe outra verdade igualmente importante:

você também não é.
Talvez um dos grandes desafios de um casamento longo seja justamente este: aprender a continuar amando alguém que está mudando enquanto você também está mudando.
É por isso que nem toda crise significa que o casamento acabou.
Às vezes, o casal não precisa voltar a ser aquilo que era.
Precisa descobrir aquilo que ainda pode ser.
Se você está vivendo uma fase em que seu casamento parece cansado, distante ou diferente daquilo que um dia imaginou, antes de tomar uma decisão definitiva, considere estes cinco motivos à luz da Palavra de Deus.
1. Porque o amor maduro não se parece com o amor do começo
No início de um relacionamento, existe novidade.
Você espera uma ligação.
Quer estar perto.
Uma mensagem pode mudar seu dia.
Existem descobertas, planos, expectativas e aquela sensação de que nunca haverá assunto suficiente para todas as conversas.
Mas seria injusto comparar o amor de um casamento de vinte ou trinta anos com o amor dos primeiros meses.
Eles não estão na mesma estação.
Paulo escreveu:
“O amor é paciente, o amor é bondoso… não busca os seus próprios interesses… tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
1 Coríntios 13:4–7
Observe como Paulo descreve o amor.
Ele não começa falando de emoção.
Ele fala de paciência, bondade, humildade, perseverança e esperança.
São características que ganham ainda mais significado depois que duas pessoas atravessam anos juntas.
Talvez hoje não existam tantas cartas apaixonadas.
Talvez vocês não consigam passar horas conversando como antigamente.

Talvez as responsabilidades tenham ocupado grande parte da espontaneidade que existia no começo.
Isso não significa necessariamente que o amor morreu.
Às vezes, ele apenas mudou de aparência.
O amor pode estar no café preparado pela manhã.
Na preocupação quando o outro demora para chegar.
No remédio colocado ao lado da cama.
Na pergunta:
“Você chegou bem?”
Na mão que procura a outra durante um momento difícil.

Existem demonstrações de amor que dificilmente impressionariam alguém nas redes sociais.
Mas são justamente elas que sustentam uma vida inteira.
Não despreze o amor maduro apenas porque ele já não faz o mesmo barulho do amor do começo.
Talvez vocês não precisem recuperar exatamente aquilo que sentiam vinte anos atrás.
Talvez precisem descobrir como amar na fase em que estão agora.
2. Porque existe uma história entre vocês que merece ser lembrada
Em determinado momento da caminhada de Israel, Samuel levantou uma pedra e lhe deu um nome:
“Até aqui nos ajudou o Senhor.”
1 Samuel 7:12
Aquela pedra servia como memorial.
Era uma maneira de olhar para trás e lembrar:
“Nós chegamos até aqui.”
Casamentos longos também possuem seus memoriais.
Talvez não sejam pedras.
São fotografias.

Uma casa onde vocês moraram.
Uma viagem que nunca esqueceram.
Um período em que quase não havia dinheiro, mas vocês atravessaram juntos.
O nascimento de um filho.
Uma perda que somente vocês sabem o quanto doeu.
Uma oração respondida.
Uma doença enfrentada.
Uma mudança inesperada.
Uma vitória que parecia impossível.
Até mesmo certas piadas que ninguém mais entende.
Depois de muitos anos, duas pessoas carregam uma história que não pode ser resumida à dificuldade que estão vivendo hoje.
Isso não significa permanecer em um casamento simplesmente porque “já investi muitos anos nele”.
O passado, sozinho, não é uma prisão.
Mas também não deveria ser tratado como se não tivesse valor.
Quando estamos feridos, existe uma tendência perigosa de permitir que o problema atual reescreva toda a história.
De repente:
“Você nunca me amou.”
“Nosso casamento sempre foi ruim.”
“Foi tudo um erro.”
Será mesmo?
Ou a dor de hoje está fazendo você esquecer parte daquilo que vocês viveram ontem?
Antes de decidir o futuro, talvez seja necessário olhar para trás e perguntar:
“O que Deus já nos permitiu atravessar juntos?”
Talvez existam capítulos difíceis.
Mas eles não são os únicos capítulos.
Às vezes é importante levantar nosso próprio “Ebenézer” e reconhecer:
Até aqui o Senhor nos ajudou.

3. Porque você não se casou apenas com quem aquela pessoa era — está aprendendo a amar quem ela se tornou
Esse talvez seja um dos aspectos menos discutidos sobre casamento.
As pessoas mudam.
O rapaz de vinte e poucos anos pode tornar-se um homem completamente diferente aos cinquenta.
A jovem cheia de determinados sonhos pode chegar aos cinquenta com outras prioridades, outras preocupações e outra maneira de enxergar a vida.
O corpo muda.
A disposição muda.
A personalidade amadurece.
As experiências deixam marcas.
A chegada dos filhos muda as pessoas.
A saída dos filhos também.
Perdas mudam pessoas.
Responsabilidades mudam pessoas.
Sucesso pode mudar.
Fracasso também.
Eclesiastes nos lembra:
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3:1
Talvez parte do problema de alguns casamentos seja que marido e mulher continuam esperando encontrar no outro a pessoa de vinte anos atrás.

“Você não era assim.”
Talvez não.
Mas você também não era.
O desafio de um casamento longo não é apenas permanecer com a mesma pessoa.
É continuar conhecendo essa pessoa.
Quando foi a última vez que você perguntou ao seu cônjuge:
“Do que você tem medo hoje?”
“O que você ainda sonha fazer?”
“Existe alguma coisa que você gostaria que fosse diferente entre nós?”
“Você está feliz?”
“Como posso ser um companheiro melhor nesta fase da nossa vida?”
Depois de muitos anos, podemos acreditar que conhecemos tudo sobre quem dorme ao nosso lado.
E talvez seja justamente aí que deixamos de perguntar.
Não permita que os anos transformem conhecimento em desinteresse.
Você conheceu quem seu cônjuge era.
Agora descubra quem ele está se tornando.
E permita que ele conheça novamente você.
Talvez exista uma pessoa muito interessante ao seu lado que você simplesmente deixou de descobrir.
4. Porque algumas fases do casamento precisam ser reconstruídas, não substituídas
A Bíblia apresenta uma imagem muito bonita:
“Melhor é serem dois do que um… Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro.”
Eclesiastes 4:9–10
Casamento é caminhada.
E toda caminhada possui mudanças de terreno.
Existem fases em que o casal está completamente envolvido na criação dos filhos.
Depois, os filhos crescem.
Talvez saiam de casa.

A carreira muda.
A situação financeira muda.
A saúde pode mudar.
O corpo muda.
A intimidade também pode mudar.
E chega um momento em que marido e mulher precisam olhar um para o outro novamente e perguntar:
“Quem somos nós agora?”
Durante muitos anos, talvez vocês tenham sido “o pai e a mãe”.
Talvez tenham sido a dupla que trabalhava desesperadamente para pagar as contas.
Talvez tenham passado tanto tempo resolvendo problemas que esqueceram como era simplesmente estar juntos.
Então, quando aquela fase termina, pode surgir um vazio.
Isso não significa necessariamente que vocês escolheram a pessoa errada.
Talvez simplesmente tenham chegado a uma nova estação do casamento sem aprender ainda como vivê-la.
E existe uma diferença enorme entre essas duas conclusões.
Uma diz:
“Preciso de outra pessoa.”
A outra pergunta:
“Como podemos construir uma nova fase juntos?”
Talvez seja necessário voltar a sair.
Voltar a viajar.
Encontrar novos interesses em comum.
Conversar sobre sonhos que não envolvam apenas os filhos.
Descobrir novamente aquilo que faz vocês rirem.
Recuperar pequenos gestos de carinho que a rotina roubou.
Talvez não seja possível voltar ao casamento que vocês tinham.
Mas isso não significa que não seja possível construir um casamento diferente — e talvez até mais profundo.
5. Porque você não deveria decidir o final da história no pior capítulo dela
Salomão escreveu:
“Há tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de dançar.”
Eclesiastes 3:4
A vida acontece em estações.
O casamento também.
Existem estações leves.
E existem estações extremamente difíceis.
O problema é que, quando estamos dentro de uma estação dolorosa, ela parece permanente.
Um ano difícil parece que sempre foi assim.
Uma fase de distanciamento parece provar que o amor acabou.
Um período de cansaço faz parecer impossível imaginar dias melhores.
É exatamente nesses momentos que decisões definitivas precisam ser tratadas com muita sabedoria.
Não porque todo casamento obrigatoriamente continuará.
Mas porque uma estação não deveria ser confundida com uma vida inteira.
Talvez vocês estejam cansados.
Talvez tenham parado de conversar.
Talvez estejam enfrentando dificuldades financeiras.
Talvez alguma mudança importante tenha abalado a dinâmica da família.
Talvez estejam atravessando uma fase em que simplesmente não conseguem encontrar um ao outro.
Antes de escrever “fim”, pergunte:
“Isso é realmente o fim da nossa história ou estamos atravessando um capítulo muito difícil?”
Existe diferença.
Algumas decisões tomadas no auge da raiva parecem óbvias.
Depois que a tempestade passa, parecem diferentes.
Por isso, quando houver segurança e respeito, dê espaço para conversa.
Dê espaço para aconselhamento.
Dê espaço para oração.
Dê espaço para mudanças concretas.
Dê espaço para o tempo mostrar aquilo que a dor talvez esteja impedindo você de enxergar hoje.
Não permita que o pior capítulo seja automaticamente escolhido para escrever o último.

Mas existe uma diferença entre um casamento cansado e um casamento destrutivo
Precisamos deixar isso muito claro.
Quando falamos em não desistir facilmente do casamento, estamos falando de relacionamentos que enfrentam desgaste, diferenças, frustrações, distanciamento, mudanças de fase e dificuldades de convivência que podem ser trabalhadas com segurança e respeito.
Não estamos dizendo que alguém deve permanecer passivamente em uma situação de abuso.
E isso vale para todos.
Um homem pode ser vítima de abuso. Uma mulher pode ser vítima de abuso.
Violência física, ameaças, intimidação, coerção, humilhação constante, controle extremo, isolamento e outros comportamentos abusivos não devem ser romantizados como “a cruz que alguém precisa carregar”.
A Palavra orienta:
“Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo.”
Efésios 5:21
O casamento bíblico não deveria ser um lugar onde um destrói e o outro é obrigado a suportar.
Se você tem dúvidas sobre a diferença entre uma crise conjugal e sinais de um relacionamento que está se tornando destrutivo, já tratamos desse assunto com mais profundidade no artigo “Quando o casamento adoece: sinais de alerta à luz da Bíblia”.
Perseverança não significa aceitar abuso.
Buscar proteção e ajuda diante de uma situação perigosa não é falta de fé.

Talvez vocês não precisem voltar ao começo
Existe uma frase comum:
“Eu queria que nosso casamento voltasse a ser como antes.”
Mas talvez esse nem devesse ser o objetivo.
Vocês não são mais aquelas pessoas.
A vida aconteceu.
Existem cicatrizes.
Existem aprendizados.
Existem histórias.
Existem cabelos grisalhos que não estavam nas fotografias do casamento.
Existem alegrias que vocês nem imaginavam viver.
E provavelmente existem dores que também jamais imaginaram enfrentar.
Talvez Deus não queira simplesmente levar vocês de volta ao começo.
Talvez exista algo bonito em aprender a caminhar daqui para frente.
Um amor menos preocupado em impressionar.
Mais disposto a compreender.
Menos baseado em expectativa.
Mais baseado em companheirismo.
Menos preocupado em perguntar:
“O que você pode me oferecer?”
E mais disposto a perguntar:
“Como podemos viver bem os anos que ainda temos pela frente?”
Depois de tantos anos, talvez a maior declaração de amor não seja:
“Eu ainda sinto exatamente aquilo que sentia quando te conheci.”
Talvez seja:
“Depois de tudo o que vivemos, eu ainda quero conhecer você.”
Antes de desistir, faça estas perguntas
Antes de tomar uma decisão definitiva em meio a uma fase difícil, vale a pena refletir:
Estou querendo terminar meu casamento ou querendo terminar a dor que estamos vivendo?
O problema é realmente quem está ao meu lado ou a maneira como estamos vivendo esta fase?
Quando penso em nosso casamento, estou lembrando da história inteira ou apenas dos capítulos ruins?
Eu ainda conheço os sonhos, medos e necessidades da pessoa com quem vivo?
Existe respeito, segurança e disposição verdadeira dos dois lados para tentar construir algo diferente?
Talvez algumas respostas sejam dolorosas.
Mas perguntas sinceras podem abrir portas que anos de silêncio mantiveram fechadas.

Uma oração para quem está atravessando uma nova fase no casamento
Senhor,
quando começamos nossa caminhada, não sabíamos tudo aquilo que encontraríamos pelo caminho.
Hoje somos diferentes.
O tempo passou.
A vida nos mudou.
Vivemos alegrias que jamais esqueceremos e atravessamos dificuldades que deixaram marcas em nós.
Obrigado por tudo aquilo que conseguimos viver juntos até aqui.
Perdoa-nos pelas vezes em que a rotina nos fez esquecer o valor da pessoa que estava ao nosso lado.
Ajuda-nos a não exigir que o outro continue sendo exatamente quem era anos atrás.
Ensina-nos a nos conhecer novamente.
A conversar novamente.
A rir novamente.
A sonhar novamente.
Se estamos atravessando uma estação difícil, dá-nos sabedoria para não confundir uma fase com o final de nossa história.
Mostra-nos aquilo que ainda pode ser reconstruído.
Dá-nos humildade para buscar ajuda quando precisarmos.
E onde houver comportamentos destrutivos, concede sabedoria, proteção, coragem e direção para que aquilo que é errado não seja escondido em nome da fé.
Senhor, não queremos simplesmente acumular anos de casamento.
Queremos viver bem os anos que ainda temos juntos.
Se ainda existe um caminho para nós, ensina-nos a percorrê-lo.
E que um dia possamos olhar para trás e dizer:
“Até aqui nos ajudou o Senhor.”
Em nome de Jesus,
amém.

